Moira de Santa Marinha (Freitas)

APL 175

Começarei por um caso que se deu no Monte de Santa Marinha, pouco mais ou menos na extrema das duas freguesias. Numa manhã de S. João uma pegureira de Freitas levou o rebanho mais cedo para o monte, com o propósito de «deitar o carrapato» aos rebanhos do Monte de Gonça, que lhe ficava fronteiro, logo que os visse chegar. A carneirada foi parar junto dum penedo, onde a rapariga viu com espanto um estendal de jóias, guardadas por uma «velha». Pediu-lhe algumas, e a velha respondeu-lhe que todas elas seriam suas, se viesse ali no dia seguinte e lhe desse um beijo na boca, fosse qual fosse a forma em que a encontrasse. Recolhendo a casa, a pegureira contou o sucedido ao pai, que a aconselhou a satisfazer todas as exigências da velha, e lá foi no dia seguinte ao sítio, resolvida a seguir o conselho paterno. Em vez da velha encontrou sobre o penedo uma «saramela», que lhe repetiu as condições do contrato, mas a rapariga não pôde vencer a repugnância de dar um beijo na boca do asqueroso réptil e perdeu tudo. As riquezas lá estão, concluiu o meu informador, o homem de Travassós, de que falei acima, e pelos modos deve ser fácil atinar-lhes com o sítio, porque quem percorrer aquela partedo monte, à hora do meio dia, ouve cantar um galo dentro dum penedo. Isto é sinal infalível de que há ali uma moura que quer ser desencantada.

Source COIMBRA, Artur Ferreira Fafe, a Terra e a Memória Fafe, Câmara Municipal de Fafe, 1997 , p.328-329

Place of collection Freitas, FAFE, BRAGA

Narrative

When XX Century, 90s

BeliefUnsure / Uncommitted

Classifications