[O Lobisomem]

APL 1772

Os lobisomens eram homens que se faziam de burros, cães, borregos, mas esses desapareceram porque as suas famílias começaram a queimar as roupas para quebrar aquele dom que eles tinham.
 Eles iam-se espojar nas encruzilhadas para se transformarem, metiam medo às pessoas e faziam mal.
 Eram atentados pelo demónio.
 Se um casal tivesse sete filhos machos de seguida, ou sete raparigas, o mais novo era lobisomem, ou a mais nova era bruxa.
 Quando lhes queimavam as roupas para lhes quebrar o encanto, as portas tinham de ser fechadas, para eles não virem a casa com a fúria, não se podia abrir a porta, para lhes poder quebrar o mal que tinham.  
 Ao meu tio aparecia-lhe um burro que andava sempre volta dele. Um dia ele disse: Mesmo agora, esta noite te vou levar para casa. Tirou o seu lenço do pescoço e pôs no pescoço do burro, pondo-se a cavalo nele. O burro assim que o sentiu em cima dele, começou aos pinotes, fê-lo cair e começou a rir à gargalhada. 
 No outro dia, o meu tio viu os fios do lenço nos dentes de um homem.
 Só nessa altura é que o meu tio compreendeu que afinal aquele homem era lobisomem.
 Esse homem vivia na parte velha de Quelfes e chamavam-lhe o Ti António Cristo e eu conhecia-o muito bem.

Source AA. VV., - Tradição Popular Algarvia Faro, Direcção Geral de Educação de Adultos, s/d , p.Lendas

Place of collection Quelfes, OLHÃO, FARO

InformantConceição Rodrigues Gomes (F), Olhão (OLHÃO) FARO,

Narrative

When XX Century,

BeliefUnsure / Uncommitted

Classifications