A Menina Encantada

APL 1894

Uma rapariga guardava uns porcos numa vinha, que pertencia ao pai. Viu entrar na vinha dois homens a cavalo, que traziam uma menina montada num dos cavalos, entre dois sacos cheios. A pequena, que guardava os porcos, escondeu-se para, sem ser vista, conseguir ver e ouvir.
 Eles traziam ferramenta e fizeram no solo uma grande cova, onde meteram a menina e os dois sacos. Disseram-lhe quando a enterraram:
 — Eu te encanto, Maria, que tu não sejas desencantada sem que a vinha seja toda arrancada e a terra semeada de coentros, que sejam ceifados e debulhados neste lugar.
 A rapariga, que tinha visto e ouvido tudo, correu a dizer ao pai que devia arrancar a vinha. O pai, estranhando o conselho, zangou-se. Ela insistiu e disse:
 — Se o pai arrancar a vinha, talvez ganhe para duas ou três.
 Como a vinha estava estragada, o pai, para ver o que a filha fazia, mandou arrancar tudo e lavrar. A filha foi arranjar sementes de coentros e semeou tudo, O pai disse:
 — Faça a gente a vontade a crianças! Que proveito darão os coentros?
 Depois de secarem, ela ceifou-os e debulhou-os no lugar, onde tinham enterrado a menina. Quando terminou a debulha, abriu-se o chão e apareceu a menina com os dois sacos, dando-os à filha do lavrador.
 O lavrador foi levá-la a casa dos pais.

Source VASCONCELLOS, J. Leite de Contos Populares e Lendas I Coimbra, por ordem da universidade, 1963 , p.522

Place of collection Mexilhoeira Grande, PORTIMÃO, FARO

Narrative

When XX Century,

BeliefUnsure / Uncommitted

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