[O tanque]

APL 2021

Havia um homenzito, que morava ali nos Salgados, aqui de Portimão. E um dia era dia de Corpo de Deus e o que é que ele se lembrou? Vou por a besta na nora para tirar a água para encher o tanque para regar amanhã. Ora a besta na nora era, antigamente as noras não eram com motores, não eram com bombas eléctricas. Não havia nada dessas coisas, eram as bestas que se punham que se punham a andar, a tirar da nora e havia uma corda, chamava-se alcatruzes […] que iam tirando água e vinham despejar para depois irem fazer a rega nas hortas.
Este tinha um tanque muito grande e encheu o tanque, como era dia de corpo de Deus: “não faço nada, vou-me encher o tanque”. Foi encher o tanque deixou o tanque cheio e depois pensou assim: “amanhã é só regar, já não andar a fazer isto”. No outro dia quando chegou ao pé do tanque não tinha uma pinga de água. Não se sabe para onde é que foi essa água. O que é que as pessoas dizem? Como era dia de Corpo de Deus, era um dia muito santo, dizem que seria mistério como não se podia […] trabalhar aos dias santos.

Source AA. VV., - Arquivo do CEAO (Recolhas Inéditas) Faro, n/a,

Year2005

Place of collection Portimão, PORTIMÃO, FARO

CollectorCátia Romão (F)

InformantMaria Esmeraldina Pacheco dos Reis (F), 62 y.o., born at Silves (SILVES) FARO,

Narrative

When XX Century,

BeliefUnsure / Uncommitted

Classifications