A Lenda do Lobisomem

APL 2064

A senhora que me contou esta lenda era natural de Monchique e dizia-me que quando uma mulher tem sete filhas e o oitavo filho é um homem, o menino será um lobisomem.
Dizem que o menino irá crescer normalmente, mas muito pálido, magrinho e com as orelhas compridas. Quando o menino completar o seu décimo terceiro aniversário a maldição terá início.
Reza a história que na primeira terça-feira, depois do aniversário ele vai até uma encruzilhada e transforma-se num lobisomem, pela primeira vez e uivará para a lua. A partir daí todas as terças, ele corre todas as ruas e estradas desertas com uma matilha de cães latindo sempre atrás dele.
Nessas noites em que ele percorre partes dessa região, como é conhecido, são os sete pátios de igrejas, ou sete vilas, ou sete encruzilhadas, por ai. Onde ele açoita os outros cães e apaga as luzes das ruas e casas por onde passa, enquanto uiva, claro, de forma, aquela forma horripilante, de que é conhecida dos lobisomens.
Antes do nascer do sol, quando um galo cantar o lobisomem volta ao sítio de onde partiu e transforma-se de novo em homem.
Esta senhora dizia-me que, que estiver no caminho do lobisomem nessas noites deve, pronto são aquelas rezas, devem de rezar as três Aves Marias para se proteger.
Essa própria senhora que me disse, que me contou esta história, pronto dizia que para quebrar o encanto era preciso chegar bem perto do lobisomem, sem que ele se apercebesse, é claro, e dar-lhe uma pancada bem forte na cabeça, mas era preciso ter cuidado pois se uma só gotinha desse sangue atingir essa pessoa, era fatal, essa pessoa transformava-se em lobisomem.

Source AA. VV., - Arquivo do CEAO (Recolhas Inéditas) Faro, n/a,

Year2006

Place of collection Monchique, MONCHIQUE, FARO

CollectorMara Alexandra Espinho (F) (20 y.o.)

InformantFábio Emanuel Marques (M), 20 y.o., born at Portimão (PORTIMÃO) FARO,

Narrative

When XX Century,

BeliefUnsure / Uncommitted

Classifications