Lenda da Fonte da Silveirinha

APL 261

Na aldeia de Carção existe uma lenda que tem passado de geração em geração, é a lenda da Fonte da Silveirinha. Esta fonte, que era uma magnífica fonte, mas que os tempos modernos destruíram, hoje já não existe. Ela era um dos sítios de abastecimento de água para muitas pessoas da povoação que iam lá a abastecer-se, sobretudo de manhã e à noite.
 Ora todas as manhãs, uma rapariga, da qual ninguém sabe o nome, ia buscar o seu cântaro de água.
 Nesta aldeia era costume, como ainda hoje é, tocar às Trindades todas as manhãs. Essa rapariga era muito devota, gostava muito de rezar e todos os dias ia à missa.
 Diz-se que nessa fonte havia uma moura encantada à espera de alguém que quebrasse o seu encanto, mas dessa história a rapariga não sabia nada.
 Numa manhã, ela, como era seu costume, foi buscar água, mas qual não foi o seu espanto, quando junto à fonte viu um fio de ouro. Pegou então nele e começou a dobá-lo muito rapidamente. Dobava, dobava, dobava!... E o novelo crescia, crescia, crescia e já estava enorme, mas continuava a dobar!...
 Algum tempo depois tocou o sino da igreja e ela muito aflita, pensando que ia chegar tarde à missa, partiu o fio do novelo. Nesse momento ouviu-se uma voz que vinha do fundo da fonte:
 - Ah!... Ah!... Doidinha!... Por tua causa vou passar mais uns anos aqui, porque se tu tivesses dobado até ao fim eu poderia estar livre, assim dobraste o meu encanto.
 O novelo transformou-se em pó e foi levado pelo vento. A rapariga, muito assustada, fugiu e nunca mais voltou à fonte.

Source ROSÁRIO, Serafim do Terras de Vimioso: Retalhos de Literatura Oral [Vimioso], sem editora, s/d , p.106-107

Place of collection Carção, VIMIOSO, BRAGANÇA

CollectorMaria Beatriz Vaqueiro (F)

Narrative

When XX Century, 90s

BeliefUnsure / Uncommitted

Classifications