O Diabo de Silvalde

APL 626

Um estudante dirigia-se para a vila de Santo Tirso, num dia de tempestade. A cheia do Ave não lhe consentiu a passagem.
 Voltando para trás, bate à porta de uma choupana e uma camponesa indica-lhe, para dormida, Silvalde, avisando-o, porém, dos perigos que corriam os hóspedes da casa enfeitiçada.
 O rapaz não treme: é recebido pelo caseiro e entra no quarto que lhe foi indicado, deitando-se, depois de colocar sobre a mesa duas pistolas.
 Adormece profundamente e, noite alta, é acordado por um ruído formidável, como de correntes arrastando. Salta da cama e, pegando nas pistolas, precipita-se para o corredor. Na sua frente há um vulto branco com um lampião enorme numa das mãos.
 Parte o primeiro tiro, e uma bala vem cair aos pés do estudante, que ouve ao mesmo tempo estas palavras de escárnio:
 — Pega lá a bala!
 Com o segundo tiro sucede a mesma cena.
 Então, o rapaz lança-se ao fantasma que, perdendo a serenidade, foge, indo refugiar-se na casa dos caseiros, a cuja porta é alcançado pelo perseguidor.
 O miserável, vendo-se perdido, conta então como tirou as balas às pistolas e o segredo do processo que usava para arredar competidores.

Source LIMA, Augusto César Pires de Estudos Etnográficos, Filológicos e Históricos Porto, Junta da Província do Douro Litoral, 1948 , p.23-26

Place of collection Silvalde, ESPINHO, AVEIRO

Narrative

When XX Century, 40s

BeliefUnsure / Uncommitted

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