A moça que corria o fado

APL 977

Na aldeia de Ordins, havia uma crença que dizia que a quinta filha seguida de um casal, se não se chamasse Eva, correria o fado. Nesta aldeia, morava um casal que não acreditava nisso e, quando teve a sua quinta filha seguida, deu-lhe outro nome.
Enquanto era criança, tudo correu bem. Quando se tornou moça, começaram a verificar-se algumas mudanças no seu comportamento. A mãe estranhava que a filha durante a noite desaparecesse da cama, indo, ao nascer do dia, encontrá-la a dormir normalmente.
Desconfiados, os pais começaram a vigiá-la. Descobriram que a moça corria o fado, ou seja, durante a noite, por causa da maldição, transformava-se num animal e andava pela aldeia a fazer barulho. Pela manhã, voltava a ser quem era e não se lembrava de nada.
Para acabar com a maldição, era preciso que alguém, enquanto ela estava transformada num animal, a ferisse e lhe fizesse sangue. Quando isto aconteceu, a moça deixou de correr o fado e ficou eternamente agradecida à pessoa que o fizera.

Source AA. VV., - Literatura Portuguesa de Tradição Oral s/l, Projecto Vercial - Univ. Trás -os-Montes e Alto Douro, 2003 , p.CF9

Year2000

Place of collection-, PENAFIEL, PORTO

CollectorDirce Soares (F)

Narrative

When XX Century, 90s

BeliefUnsure / Uncommitted

Classifications