A alma da avó

APL 948

Numa noite de Verão, a Olga chegou a casa pelas 4:30 da manhã, depois de ter passado parte da noite na discoteca com umas pessoas amigas.
Ao entrar em sua casa, disse à mãe que tinha de ir trabalhar no dia seguinte muito cedo. Por isso iria tomar um banho e comer qualquer coisa. A mãe foi dormir e ela lá foi tomar o seu banho. Em seguida, dirigiu-se à cozinha, pegou numa maçã e foi para o quarto.
O quarto era pequeno, com uma janelinha que dava para a rua. Mesmo em frente havia as escadas que davam para o sótão.
De um momento para o outro, aquela noite, que parecia tão normal, tornou-se assustadora. A Olga começou a ouvir passos que pareciam ser de um pequeno gato. Mas estes tornaram-se cada vez mais fortes e próximos de si. Nesse momento viu um vulto branco a descer das escadas, dirigindo-se à sua janela. Começou a bater levemente no vidro, fazendo em seguida sinal para que ela fosse em sua direcção.
A Olga, estática na sua cama, tentou gritar, mas não lhe era possível. Até que de repente a mãe entrou no quarto e tudo desapareceu. Depois de se ter refeito do susto, a Olga contou tudo à mãe.
Como as pessoas das aldeias acreditam muito em almas penadas, a mãe deu-lhe uma explicação para o que se tinha passado.
O vulto que ela tinha visto era a avó que tinha falecido há algum tempo, e queria leva-la para bons caminhos, pois ela não andava bem acompanhada com algumas pessoas que ela considerava suas amigas.
Pode ser coincidência ou não, mas o que é certo é que algumas das pessoas que andavam com ela não eram amigas de ninguém. A Olga, a partir daí, passou a ir mais cedo para casa.

Fonte Biblio AA. VV., - Literatura Portuguesa de Tradição Oral s/l, Projecto Vercial - Univ. Trás -os-Montes e Alto Douro, 2003 , p.AP9

Ano2000

Place of collection Oliveira Do Hospital, OLIVEIRA DO HOSPITAL, COIMBRA

ColectorAna Catarina Mendes Pereira (F)

Narrativa

When XX Century, 90s

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications