A Costureirinha

APL 2372

A Costureirinha diz que foi uma rapariga que adoeceu, esteve muito mal, mas era pobre, a pobrezita trabalhava para viver os filhos, então ela prometeu á Nossa Senhora quando melhorasse o primeiro dinheiro que ganhasse comprava um manto à Nossa Senhora, só que a pobrezita quando melhorou, começou a trabalhar mas tinha que dar comer aos filhos, não se arranjava com o dinheiro para juntar, para pôr ali de lado, para comprar o manto, o manto ainda era caro. Só que ao cabo de anos a promessa não foi cumprida, ela tornou a adoecer e morreu. Morreu e depois de morta começou a aparecer, começou toda a gente a ouvir ela andar, andava cosendo aí por todo o lado, ouvia-se ela pedalar, pôr o dedal e descansar e trabalhar, tanto se ouvia dentro de um cesto como se ouvia em cima de uma coisa, a primeira vez que eu ouvi foi na armação dentro de um cesto, um homem que veio do mar e trouxe a roupa e pôs o cesto pendurado aos pés da cama. Eu estava sentada com a mulher dele cosendo e começamos a ouvir: - tic, tic, tic, tic, a trabalhar, diz ela assim: - mas quem é que está cosendo á máquina aqui em casa, se eu não tenho máquina. E começamos a ouvir e começamos a ouvir e olha começamos a dizer a uma e a outra, e ouve-se coser, e ouve-se coser e aquilo já toda a gente ouvia, crianças e tudo ouviam, mas ouvia-se perfeitamente qualquer pessoa ouvia. Andava cá sofrendo, andava pagando (a promessa). A primeira vez que ouvi foi á 60 anos e ouvi durante perto de 15/20 anos. 

Fonte Biblio AA. VV., - Arquivo do CEAO (Recolhas Inéditas) Faro, n/a,

Ano2007

Place of collection Tavira (Santiago), TAVIRA, FARO

ColectorRui Venâncio (M)

InformanteMaria João (F), 78 y.o., born at Tavira (Santiago) (TAVIRA) FARO,

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications