A Costureirinha

APL 2485

Essa história da costureira que contavam... Contavam, e eu ouvi a costureira a trabalhar com a máquina. Ouvi. Muitas vezes. ...Diziam que era uma senhora, que era costureira, e que esteve doente, teve uma doença muito grande e prometeu, à Nossa Senhora, que, se se curasse, que lhe dava a máquina de costura. Quer dizer, vendia a máquina e dava uma oferta à Nossa Senhora. Só que depois curou-se, mas não cumpriu a promessa. Depois, um dia, quando morreu, foi castigada. Foi condenada a andar (que era o que diziam, antigamente, era assim...), a andar com a máquina às costas (quer dizer, andar com a máquina de um lado para o outro, onde ela fosse) ...Sete anos, cada ano, sete reinos. Correr esses reinos todos para cumprir essa promessa, esse castigo que lhe tinham dado... E andava, por aí, ouvia-se em qualquer sítio (a gente ouvia ela, a costureira, a trabalhar, a máquina a trabalhar; a coser, como a gente quando cose à máquina). E havia muitas pessoas que gozavam com isso. Houve um homem, que dizia que tinha... Que, «Ah! Tanta costureira, é a costureira, a costureira... Tenho ali um tecido, tenho que mandar a fazer um fato.» Tinha lá um bocado de tecido, dentro de um... De um armário... E, um dia, quando vai lá, buscar o tecido, para ir mandar fazer o fato, estava o tecido todo feito às tirinhas, às tirinhas... Dobradinho, mas todo às tirinhas como se... E era assim. Outros diziam que não a ouviam. Que não ouviam... Que era por isso que era tudo mentira... E ela pôs-se no ouvido. Com a máquina e a costurar. A coser.

Fonte Biblio AA. VV., - Arquivo do CEAO (Recolhas Inéditas) Faro, n/a,

Ano2008

Place of collection Castro Marim, CASTRO MARIM, FARO

ColectorCarla Velez (F)

InformanteLisete Romeira (F), 55 y.o., born at Castro Marim (CASTRO MARIM) FARO,

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications