A costureirinha

APL 842

Havia uma costureira que trabalhava muito todos os dias e até domingos e dias santos de guarda.
 Depois de ela morrer, continuaram a ouvir, de noite, a máquina a coser, a tesoura a cortar ou a cair no chão... Havia uma casa onde todas as noites se ouvia a máquina a coser. Os donos da casa já aborrecidos, porque aquele ruído os incomodava, uma vez resolveram “dar que fazer” à costureira a ver o que acontecia: puseram, no quarto onde mais se ouvia, umas calças de homem a ver se ela as cosia, mas, no dia seguinte, estavam cortadas. A máquina continuou a ouvir-se tão nitidamente que as pessoas perderam a paciência e exclamaram:
 — Isto não pode ser! Temos de acabar com isto!
 Então, ouviram uma voz:
 — Olhem! Eu ando num degredo; eu costurava domingos e dias santos e perdi-me por não respeitar a lei de Deus, e Ele deu-me este castigo:
 — Enquanto o mundo for mundo, andarás a coser; será o teu degredo. Ainda te poderás vir a salvar mas só no fim do mundo.

Fonte Biblio VILHENA, M. Assunção Gentes da Beira Baixa Lisboa, Colibri, 1995 , p.105

Place of collection-, PROENÇA-A-NOVA, CASTELO BRANCO

InformanteMaria da Piedade Farinha (F), 80 y.o., - (PROENÇA-A-NOVA) CASTELO BRANCO,

Narrativa

When XX Century, 90s

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications