[A Floripes]

APL 2548

A Floripes, segundo me contaram, a Floripes era assim, foi uma rapariga muito linda, uma viúva que o marido morreu no mar, aliás, foi “p’ó” mar e nunca mais veio e, acontece que ela chorava, levou uma vida inteira a chorar, até que “prontes” morreu na se sabe quando, foi à décadas, foi à séculos talvez, e ela aparecia igualmente aos pescadores como o menino dos olhos grandes aparecia. Acontece que ela aparecia muito linda, toda vestida de branco, parecia uma princesa, que chamavam uma princesa encantada, que era daquelas princesas que o pescador olhava para elas e achava-a mesmo como umas sereias de antigamente, que encantavam os marinheiros. E eles iam atrás dela e, ela chamava-os, chamava-os… Segundo a história depois vai mostrar, devia de ser uma alma dessa pessoa que já tinha morrido. Aprecia aos pescadores e encantava-os e depois com uma vela, eles iam atrás dela, eles - normalmente era só um - iam atrás dela e ela ia sempre andando pelo mar direito ao mar, direito ao mar e eles iam atrás daquela vela e viam aquela princesa encantada, que para eles era uma mulher tipo sereia, uma ninfa. Iam atrás dela, atrás dela, atrás dela, e essas pessoas que iam atrás dela nunca mais apareciam, segundo dizem, iam atrás dela “p’lo” mar a fora, ela depois desaparecia e eles também desapareciam e nunca mais se viam. Muitos pescadores desapareciam assim.

Fonte Biblio AA. VV., - Arquivo do CEAO (Recolhas Inéditas) Faro, n/a,

Ano2007

Place of collection Olhão, OLHÃO, FARO

ColectorCarla Ramires (F)

InformanteSr. Augusto (M), Olhão (OLHÃO) FARO,

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications