A fonte da barroquinha

APL 384

Era uma vez... em dia já muito recuado na longura dos tempos, em pleno verão escaldante, o rei passava com sua corte ali junto a Maceira.
 O rei sentia os ardores da sede, no meio de uma canícula tão ardente como há muitos lustros se não sofria.
 Ao passar roçando uma rocha, o poderoso rei, sem poder para matar a grande sede que o atormentava, gritou em desespero e tom eivado de maldição, para os seus acompanhantes:
 “Maldito cavalo que não escoicinha esta rocha até a fazer manar água a fartar”.
 Palavras não eram ditas e o cavalo real, como se tivesse compreendido a fala irada do seu dono, dá uma forte parelha de coices na rocha que fez tremer céu e terra.
 A escoicinhadela foi tão violenta que o rei teve de se amparar com a sua espada na rocha, no mesmo sítio onde o cavalo do rei escoiçara. Mas a espada fraca resistência encontrou e furou a rocha, e, do furo aberto, jorrou água abundante e fresquinha que dessedentou o rei e toda a sua comitiva.
 O povo vendo aquela fartura de água tão fresca e cristalina, onde sempre tudo fora secura, começou a escavar na parte mais baixa da rocha e ali abriu uma pequena barroca por onde começou o jorramento do precioso líquido refrescante que nunca mais findou e ainda hoje continua correndo onde se levantou mais tarde, a chamada Fonte da Barroquinha.

Fonte Biblio CABRAL, João Anais do Município de Leiria, Vol. III Leiria, Câmara Municipal de Leiria, 1993 , p.229

Place of collection Maceira, LEIRIA, LEIRIA

Narrativa

When XX Century, 90s

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications