A fonte dos mortos

APL 3158

Conta-se que no lugar hoje denominado de “igreja velha”, em Vilarinho das Azenhas, existiu noutros tempos uma igreja que servia o povo para as suas lides religiosas, e por isso era lá que enterravam os mortos. Mas como essa igreja ficava um pouco distante da aldeia, os paroquianos resolveram então construir outra no centro da povoação e mudaram da igreja velha para a nova tudo o que puderam, incluindo as ossadas.
Nesse tempo, como as pessoas não tinham relógios em casa, nas noites quentes e enluaradas de Verão algumas costumavam ir trabalhar a altas horas da noite, julgando que já era de dia. Assim aconteceu com um homem que andava a regar um campo, com a água de uma fonte que lá havia.
Diz-se que viu então vir uma procissão pelo caminho acima, o caminho da “Igreja velha”. E que cada um dos que nela vinham trazia uma vela acesa.
O homem ficou intrigado, pois não era sabedor de qualquer procissão, e, como era muito religioso, aproximou-se para também se incorporar nela. Pediu então uma vela a um dos que lá vinham, e este, sem qualquer palavra, entregou-lha. Só que, mal pegou nela, a vela apagou-se e nas suas mãos o que apareceu foi um osso.
Ficou o homem de tal modo assustado, que largou logo o osso e desatou a correr para casa, metendo-se na cama. O caso foi depois muito constado, acreditando o povo que os mortos, não contentes com o repouso novo que lhes deram, todas as noites faziam aquela procissão até ao lugar onde antes haviam sido sepultados.
E desde aí, o local desta passagem, onde havia a tal fonte, passou a ser designado “Fonte dos Mortos”, nome por que ainda hoje é conhecido.

Fonte Biblio PARAFITA, Alexandre Património Imaterial do Douro (Narrações Orais), Vol. 2 Peso da Régua, Fundação Museu do Douro, 2010 , p.276

Ano2001

Place of collection Vilarinho Das Azenhas, VILA FLOR, BRAGANÇA

InformanteMaria Madalena (F), 70 y.o.,

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications