A Fraga da Moura de Seixo de Manhoses

APL 3733

Na aldeia de Seixo de Manhoses, do concelho de Vila Flor, conta-se que, numa certa noite, estavam umas raparigas a fiar o linho ao serão, e, quando era meia-noite, lembraram-se de comer figos pretos. Só que embora soubessem onde os havia, àquela hora não se atreviam a ir lá.
    Até que uma delas, mais corajosa, disse:
    — Vou lá eu.
    As outras ficaram à espera, em lugar seguro, e a mais corajosa foi subir à figueira. Quando estava sobre ela, ouviu-se um grande barulho numa fraga próxima. As outras fugiram logo, mas ela deixou-se estar à escuta no meio da folhagem. E viu então que era um rei mouro que estava ali com a sua filha e que dizia:
    — Ficas aqui encantada, e só sairás quando esta fraga der linho mourisco, regado com sangue de gato preto.
    Dali a pouco a fiadeira apareceu junto das companheiras com os figos, muito fresquinhos, e estas ficaram muito admiradas pois pensaram que ela tivesse morrido de susto. Acabaram assim o serão a comer os figos. E sobre a moura encantada, nem palavra.
    Depois, a rapariga mais corajosa deixou chegar o tempo de semear o linho, levou terra para o cimo da fraga e semeou-o, regando-o então com sangue de gato preto. Quando o linho amadurou, foi lá, arrancou-o, e, ao arrancá-lo, a fraga abriu-se, quebrando-se o encanto da princesa moura. A moça ganhou assim um grande tesouro e ficou rica para sempre. A fraga lá está e o povo hoje identifica-a como a “Fraga da Moura”.

Fonte Biblio PARAFITA, Alexandre A Mitologia dos Mouros: Lendas, Mitos, Serpentes, Tesouros Vila Nova de Gaia, Gailivro, 2006 , p.352-353

Ano2000

Place of collection Seixo De Manhoses, VILA FLOR, BRAGANÇA

InformanteLuzia Marcelino (F), 79 y.o.,

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications