A grade de ouro

APL 3628

Um dia estava um lavrador a pastorear as suas vacas perto de Vila Verdinho, concelho de Mirandela, quando lhe apareceu uma mulher desconhecida, que depois soube ser uma moura, e lhe disse:
    — Tens aí duas vacas que vão ter dois bezerros. Tu vais criá-los, mas nunca tires às vacas uma pinga de leite. Daqui a um ano, quando for S. João, metes os bezerros no rio com uma grade de gradar a terra. Se assim fizeres terás a tua fortuna.
    O lavrador, ao chegar a casa, contou à mulher, pedindo-lhe que fizesse como a outra lhe tinha dito.
    O tempo passou, nasceram os bezerros e lá foram crescendo. Acontece que um dia a mulher do lavrador esqueceu-se do pedido do marido e foi tirar o leite às vacas. Estava então nesta tarefa quando, de repente, se lembrou; e, com a atrapalhação, atirou com o leite por cima de um dos bezerros, que logo ficou todo malhado de branco.
    Ao chegar a manhã de S. João, o lavrador fez como a moura lho havia dito: meteu os bezerros ao rio com a grade. E qual não é o seu espanto ao ver que a grade, ao ser puxada pelos animais, ia aparecendo à tona da água transformada em ouro. Só que, logo em seguida, do lado do bezerro malhado a grade começa a afundar-se.
    O lavrador dizia então para os bezerros:

— Quer Deus queira, quer não queira,
a grade vai p’ró cima da barreira!

    É o vais. Quanto mais ele os picava mais a grade se afundava. E, dali a nada, tanto ela como os bezerros foram parar ao fundo das águas. Perdeu tudo. Ouviu-se então uma voz a dizer:
    — Maldito, que me dobraste o encanto!

Fonte Biblio PARAFITA, Alexandre A Mitologia dos Mouros: Lendas, Mitos, Serpentes, Tesouros Vila Nova de Gaia, Gailivro, 2006 , p.279-280

Ano2001

Place of collection-, MIRANDELA, BRAGANÇA

InformanteGabriel Coelhoso Moreira (M), 45 y.o.,

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications