A Lenda da Fraga Amarela (versão B)

APL 3694

No castro de Adeganha há uma imponente fraga, a Fraga Amarela, onde, segundo dizem as gentes da aldeia, habita uma moura, que de vez em quando aparece e se ouve cantar de dentro do penedo.
    Ora contam que, certo dia, um lavrador que andava por perto a lavrar um campo, com uma pedra em cima da grade, como é costume nestas terras, para fazer peso e os espigões da grade revolverem melhor os torrões e a terra ficar melhor lavrada, sonhou com a moura. No sonho, a moura dizia-lhe que partisse a pedra da grade, enchesse os bolsos com os bocados assim partidos e deitasse o resto à ribeira da Vilariça.
    Quando acordou, o lavrador começou desse modo a fazer. Partiu três ou quatro bocados da pedra da grade, meteu-os nos bolsos do casaco, mas depois arrependeu-se e pensou:
    — Que estou eu para aqui a fazer? Tem algum jeito, a encher os bolsos com pedras?...
    E deitou todo o resto da pedra da grade à ribeira da Vilariça. Foi então que em cima da Fraga Amarela surgiu a moura encantada a fiar numa roca e a lamentar-se, dizendo:


— Adeus ó Vale do Ouro,
Adeus ó Fraga Amarela!
Tanto ouro, tanta prata
Me ficaram dentro dela!
 
    É que, quando o lavrador meteu as mãos nos bolsos do casaco verificou que os poucos bocados que lá tinha metido eram bocados de ouro. E muito arrependido ficou de não ter partido mais. Mas já nada havia a fazer, que ele tinha atirado com quase toda a pedra da grade à ribeira da Vilariça. Nem ele pôde obter mais ouro, nem o encanto da moura se desfez. Perdera e ela lá continua encantada na Fraga Amarela, aparecendo e fazendo-se ouvir de vez em quando.

Fonte Biblio PARAFITA, Alexandre A Mitologia dos Mouros: Lendas, Mitos, Serpentes, Tesouros Vila Nova de Gaia, Gailivro, 2006 , p.326-327

Ano1997

Place of collection Horta Da Vilariça, TORRE DE MONCORVO, BRAGANÇA

ColectorInácio Pignatelli (M)

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications