A lenda de um pescador

APL 341

Era uma vez um pescador que, todos os dias à noite, guardava o seu barco amarrado a uns arbustos numa das margens do rio Douro.
 Mas, de manhã, quando chegava junto do barco, para ir à pesca, notava algo de diferente, pois achava que tinham mexido nele. Isto acontecia já há algum tempo.
 Uma manhã, além de estar mal amarrado, também não tinha lá dentro um remo. O pescador, já aborrecido com tudo aquilo, pensou: ‘pois não passa de hoje. Tenho que descobrir o que se passa todos os dias à noite com o meu barco”. Já o luar ia alto, quando o homenzinho entrou no seu barco e, rapidamente, escondeu-se no coqueiro (um compartimentozinho que existe na traseira do barco de pesca).
 Esperou, esperou...
 Era meia noite quando ouviu barulho e grandes gargalhadas. Abriu um pouco a portinha e ficou espantado quando viu três bruxas vestidas de preto e muito, muito feias. Ficou com medo e já arrependido de se ter metido naquela aventura, sozinho. Das três bruxas, havia uma que era a chefe; essa gritava para as outras duas: ‘vamos! Não há tempo a perder. Falta aqui um remo! Tu, vai lá fora buscá-lo e toca-a-remar. toca-a-remar!’, gritava ela, rindo ao mesmo tempo. O pescador tremia e encolhia-se cada vez mais. Já tinha passado algum tempo e elas remando bastante, quando a pior disse:
“cheira-me aqui a faro vivo”, e repetia isto várias vezes. O homem pensou que dali já não ia conseguir sair vivo.
 O tempo foi passando e elas sempre remando e gritando: “cada remadela, cem léguas” e repetiam. Era quase manhã, quando o homem notou que o barco estava a encostar. Suspirou. As bruxas amarraram o barco à sua maneira e foram andando, sempre gritando e rindo às gargalhadas.
 O pescador tinha apanhado um grande susto, mas só assim conseguiu descobrir quem lhe mexia no barco. Eram as três bruxas da meia-noite, que todas as noites, iam até ao Brasil.

Fonte Biblio S/A, . Lendas de Gondomar Gondomar, Câmara Municipal de Gondomar, 1995 , p.7-8

Place of collection Lomba, GONDOMAR, PORTO

InformanteDaniel Gomes da Rocha (M), 12 y.o.,

Narrativa

When XX Century, 90s

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications