A maldição

APL 1150

Em tempos, existiu ali um homem que era muito cruel, diz o povo que ele morreu há cerca de 70 anos.
 Este homem era juiz e a sua crueldade foi ao ponto de sentar a própria mãe no banco dos réus.
 A mãe rogou-lhe uma maldição. “Quando morreres que andes por esses campos a «hurrer» com um touro”.
 Passados anos, quando tudo parecia ter passado o juiz morreu. Então a profecia da mãe começou por acontecer, ele aparecia nas terras da família a “hurrer e a scarber” como um touro. O seu irmão procurando resolver o problema, pagava-lhe responsos e missas em todas as igrejas dos arredores.
 Um dia, quando o sol ainda não tinha nascido o irmão vinha para a terra, quando lhe surgiu no caminho o juiz transformado em “barranco”. Anteriormente tinha aparecido transformado em vários animais, mas naquele momento transformou-se em homem.
 Disse ao seu irmão que não tivesse medo, pois era o seu irmão, que o tirasse das igrejas, pois isso ainda mais o condenava.
 O irmão fez o que ele lhe pediu e a partir daí terminou a maldição, o juiz nunca mais apareceu.

Fonte Biblio MOURA, José Carlos Duarte Histórias e Superstições na Beira Baixa Castelo Branco, RVJ editores, 2008 , p.11

Place of collection Penha Garcia, IDANHA-A-NOVA, CASTELO BRANCO

Narrativa

When XX Century, 90s

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications