[A Menina da Máquina]

APL 1805

Eu já tenho oitenta anos e quando era nova, rapariga, ouvia muito falar na menina da máquina, muito. Tudo, ai aparece além, olha além ‘tá uma menina da máquina a… [coser], e eu em casa nã’ ouvia mas por acaso, um dia, fui à casa duma namorada dum irmão meu, entrei lá e quando vejo muita gente, a ver como à escuta duma coisa, em cima duma mesa e eu disse:
- Mai’ o que é que eles ‘tão à escuta senhor, o que será?
E cheguei ao pé e disse:
- Mai’ o que é que ‘tão à escuta?
- Anda cá, anda cá, isto é a menina da máquina, isto é a menina da máquina.
E eu, eu ‘tava assustada e eu disse assim:
- A menina da máquina?
- Sim, escuta lá.
 E então pus-me ta’mém com o ouvido à escuta e ouvi, perfeitamente tic, tic, tic, tic, tic, tic, tic, tal qual como se cosia à máquina, tic, tic, tic, tic, tic.
 Esta história da menina da máquina, as pessoas diziam que era uma senhora, uma costureira que um dia prometeu um manto bordado à mão, por ela, à Nossa Senhora do Carmo, a padroeira da Fuseta. Entretanto a senhora adoeceu e morreu e não chegou a acabar o manto. E as pessoas diziam que ela se punha dentro da casa das pessoas a coser à máquina e a cortar, como se estivesse a acabar o manto.

Fonte Biblio AA. VV., - Arquivo do CEAO (Recolhas Inéditas) Faro, n/a,

Ano1996

Place of collection Fuseta, OLHÃO, FARO

ColectorCarla Santana (F)

InformanteFeliciana Sousa (F), 80 y.o., born at Fuseta (OLHÃO) FARO,

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications