A menina e o cordão de ouro

APL 3726

Num certo dia de Verão andavam os malhadores numa eira a malhar trigo, em Meireles, concelho de Vila Flor, quando a sede começou a apertar. Mandaram então uma menina buscar água num cântaro à Fonte do Lameiro de Cima. Esta fonte é cavada no solo e por isso é preciso descer umas escadinhas e introduzir o cântaro na água.
Acontece que, quando a menina tirou o cântaro, este vinha com uma corrente de ouro. E quanto mais afastava o cântaro da água, mais comprida ia ficando a corrente. Ao ver o ouro sempre a crescer, e como não era ambiciosa, pensou:
    — Vou cortar a corrente, que este ouro já me chega.
    Apanhou então uma pedra, e, quando foi para quebrar a corrente de ouro, esta tinha desaparecido. E ao mesmo tempo ouviu uma voz a dizer-lhe:
    — Ai que me dobraste o encanto! Vai procurar alguém que me venha desencantar!
    A menina foi para junto dos malhadores e estes, ao vê-la com o cântaro vazio, ficaram muito zangados. Ela contou-lhes o que lhe aconteceu dentro da fonte. E disse que tinha medo de lá voltar. Foi então lá um dos malhadores, mais destemido.
    E mal desceu as escadinhas da fonte, apareceu-lhe uma serpente muito peluda. Ele começou a tremer de medo, e a serpente disse-lhe:
    — Não tenhas medo, que eu sou uma moura encantada e vivo nesta fonte até que me quebrem o encanto. Para isso tenho de subir por ti acima e beijar-te na cara. Mas não podes mexer nem estremecer, se não está tudo perdido.
    O homem ainda esperou que a serpente subisse por ele acima. Só que, ao chegar-lhe à cara, o medo foi tanto, que se pôs a tremer todo. E assim a serpente desapareceu, a soluçar de dor. Até hoje.

Fonte Biblio PARAFITA, Alexandre A Mitologia dos Mouros: Lendas, Mitos, Serpentes, Tesouros Vila Nova de Gaia, Gailivro, 2006 , p.347-348

Ano2001

Place of collection-, VILA FLOR, BRAGANÇA

InformanteMaria Lúcia Branco (F), 46 y.o.,

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications