A mina da Bolideira

APL 3573

Conta-se que um dia andava um homem à caça com o seu cão na zona da Bolideira [concelho de Chaves]. A dada altura o cão viu um coelho e correu atrás dele. Só que o coelho meteu-se num buraco entre duas fragas e o cão entrou lá também. E atrás do cão entrou o caçador. Era uma mina.
    O homem andou, andou, e, de repente, viu que estava no meio dum prado, onde havia um belo lago e também um altar de ouro guardado por uma serpente. Ao aproximar-se do altar, logo a serpente lhe disse:
    — Não passes daí, senão morres!
    O caçador ficou de tal modo assustado que nem um passo mais avançou. Tratou mas foi de voltar para trás, e muito ligeiro. E ao chegar à sua aldeia fez constar o que lhe tinha acontecido naquela mina. Isto tornou-se por isso conhecido em toda a parte, acabando por chegar também aos ouvidos de um príncipe que costumava andar por ali a caçar.
    Como era muito destemido, entrou sem medo pela mina adentro e lá foi dar, também ele, ao mesmo prado onde havia um lago e um altar de ouro guardado pela serpente. Esta, quando viu que ele se preparava para avançar, disse-lhe:
    — Não passes daí, senão morres!
    Mas o príncipe não se assustou, e, olhando bem para os olhos da serpente, respondeu-lhe:

— Ó serpente que te arrastas
Dia e noite nesse pranto,
Levanta-te desse chão,
Desfaça-se o teu encanto!”

    E à medida que ia dizendo estas palavras, a serpente ia-se transformando numa bela menina, pois mais não era que uma moura que tinha sido encantada por uma fada má. Diz-se que o príncipe e a moura casaram e passaram a viver ali, onde, em certas noites, ainda se ouvem cantigas e risos de alegria.

Fonte Biblio PARAFITA, Alexandre A Mitologia dos Mouros: Lendas, Mitos, Serpentes, Tesouros Vila Nova de Gaia, Gailivro, 2006 , p.236

Ano1999

Place of collection-, CHAVES, VILA REAL

InformanteMaria da Graça Oliveira Gomes (F), 54 y.o.,

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications