A Mina de Valbom

APL 2275

No lugar de Valbom, onde habito, dizem também haver uma mina, cheia de peste e de dinheiro. Ninguém lá vai por temer a peste, que está dentro duns odres, e onde chegar aquele cheiro mata tudo. A mina está numa borda dum campo, onde foram achadas, dizem, duas caras viradas para aquele lugar. Dizem também que andando ali um dia lavrando, perto da borda, acharam uma lousa. Fiados de que ali havia a mina, deixaram a lousa marcada e de nome foram cavar para achar a lousa, fiados de que encontrariam dinheiro; porém, nem a lousa encontraram.
 Essa borda é natural, formada por grandes pedras, no fundo da qual nasce uma fonte. Essa fonte banha uma pedra que parece ser ali metida de propósito. Essa pedra é quase como a porta dos sacrários das igrejas, como o povo diz, e assim é.
 Andei a ver se arranjava as tais caras, mas não pude; dizem que já não sabem delas. (Esconderam-nas os donos do campo para lhes lá não irem).
 Essa fonte, de que falei, é chamada pelo povo a Fonte da Flegueira, por onde passa uma estrada pública.
 Mais abaixo dizem estar outra mina; chama-se a Mina da Quinta. Está também junto duma borda semelhante à da Flegueira, por cima da qual passa uma estrada. Ainda nada se encontrou, nem carrancas nem lousas, nem sinal algum. Sonhando-se com uma mina três vezes sucessivamente, é certo ela existir; por isso em qualquer parte há minas.
 Estas que acima lhe noto já são muito conhecidas.

Fonte Biblio VASCONCELLOS, J. Leite de Contos Populares e Lendas II Coimbra, por ordem da universidade, 1966 , p.765

Ano1878

Place of collection Santiago De Piães, CINFÃES, VISEU

InformanteAugusto Pinto Brochado (M),

Narrativa

When

CrençaUnsure / Uncommitted

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