[A Moira do Pego das Pias]

APL 2669

Estava uma lavradora dando de comer às vacas, e apareceu-lhe uma mulher que lhe disse:
- Bom dia vizinha.
- Vizinha? Mas eu não a conheço de lado nenhum!
- Saiba que somos vizinhas há já muitos anos, mas isso não vem ao caso. O que eu tenho para lhe dizer é o seguinte: vossemecê tem aí duas vacas que estão prenhas e vão ter cada uma o seu bezerro preto. Vossemecê vai criá-los sem tirar nenhum leite às vacas e daqui por um ano, no dia de S. João, antes do sol nascer, mete os dois bezerros à agua com uma grade de gradar a terra no Pego das Pias. Daí sairá a sua fortuna.
Assim fez a mulher que foi criando os bezerros com todo o leite das vacas. Um dia, já os bezerros eram grandes, a mulher precisou de leite para dar aos seus filhos e pensou que como os bezerros estavam grandes e gordos, não fazia mal nenhum tirar uma mão-cheia de leite, e daí tirou. Nisto arrependeu-se e joga o leite por cima do bezerro, que ficou malhado de branco no sítio do leite.
Chegado o dia de S. João, e antes do sol nascer, a mulher meteu os bois à água no pego e sente que eles começam a puxar e vê surgir uma grade igual à que ela usava, mas toda em ouro. Do lado em que estava o bezerro malhado, que tinha menos força, a grade começa a afundar-se. Vai daí a mulher começa a gritar:
- Força malhado, força bragado, que o teu leite não foi derramado!
Mas o bragado não tinha força e a mulher teve de desatrelar os bezerros senão morriam lá os dois. Nisto, ouve-se uma voz que grita:
- Ah tirana que me dobraste o encantamento por outros tantos anos.
E a grade em ouro desapareceu.

Fonte Biblio AA. VV., - Odemira, ano 1, nº 1 Odemira, Grupo de Estudos Arqueológicos e Etnográficos de Odemira , 1982

Place of collection Vila Nova De Milfontes, ODEMIRA, BEJA

ColectorC. J. Ferreira (M)

InformanteFernando Inácio (M),

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications