A moura do Castelejo

APL 3563

Na aldeia de Pombal de Ansiães, concelho de Carrazeda de Ansiães, num monte sobranceiro ao rio Tua, e junto às águas termais de S. Lourenço, há um conjunto de fragas muito bem alinhadas a que o povo chama Castelejo. O povo diz também que em noites de lua cheia o bater de um tear e, às vezes, o choro triste de uma moura encantada.
    Há quem tenha conhecido na aldeia um pastor que, ao passar ali numa certa noite, viu a moura a pentear os seus longos e belos cabelos. Cheio de curiosidade, e porque lhe parecia uma mulher muito bonita, aproximou-se para meter conversa com ela. Só que nessa altura pôde vê-la melhor, e descobriu que ela apenas era mulher da cintura para cima. Daí para baixo era uma cobra.
    O pastor arrepiou-se todo e deu então três passos atrás, pronto para fugir. Mas ela chamou-o, dizendo:
    — Não tenhas medo da minha triste sina. Estou neste estado, mas sou uma mulher bela. E se tens dúvidas, vem cá na noite de S. João, e ver-me-ás, tal como sou, a banhar-me nestas águas.
    Diz-se que o pastor lá foi nessa noite, e que a viu a tomar banho nas águas de S. Lourenço. E que era tão bela como nenhuma outra mulher. Também se diz que, durante muito tempo, era costume as moças da aldeia, nas noites de S. João, irem banhar-se nessas águas, na crença de que ficariam, também, belas e sedutoras.

Fonte Biblio PARAFITA, Alexandre A Mitologia dos Mouros: Lendas, Mitos, Serpentes, Tesouros Vila Nova de Gaia, Gailivro, 2006 , p.230

Ano2000

Place of collection Pombal, CARRAZEDA DE ANSIÃES, BRAGANÇA

InformanteMaria da Conceição Felix Fonseca (F), 43 y.o.,

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications