[A Moura do Poço da Talha]

APL 2933

No Meirão havia túneis que os mouros tinham construído para fugirem aos cristãos. Antigamente os campos em redor do Meirão eram cultivados de linho. Quando o linho estava pronto para ser apanhado, as pessoas colhiam-no e punham-no à entrada dos túneis. No dia seguinte, voltavam lá e o linho já estava fiado.

À entrada destes túneis aparecia, por vezes uma moura a pentear-se. Uma vez passou por ali um homem, que sabendo da riqueza dos mouros, lhe perguntou:
— Não tens nada para me dar?
Então a moura dá-lhe um saco e o homem vai-se embora muito contente, pois pensou que era ouro. A meio caminho, porém, resolveu abrir o saco e espreitar lá para dentro — era carvão. Desiludido e muito zangado, vai atirando os bocados de carvão ao longo do caminho. Quando chegou a casa, já só levava o saco. Sacode-o e do fundo cai um bocadinho de ouro. Vendo o seu erro, correu para trás a procurar o que tinha deitado fora, mas do carvão, ou do ouro, nem sombra: tinha desaparecido tudo.

Fonte Biblio JANA, Isilda Histórias à Lareira Abrantes, Palha de Abrantes, 1997 , p.9

Ano1992

Place of collection Mouriscas, ABRANTES, SANTARÉM

ColectorSandra Cunha (F)

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications