[A Moura na Quinta do Pombal]

APL 3785

Há menos de cinquenta anos, residia nesta vila um cavalheiro do norte, então dono da Quinta do Pombal, nas proximidades da Fonte das Romeirinhas e da Fonte da Moura, subúrbios desta vila. Este cavalheiro costumava recolher cedo à sua quinta; numa ocasião, porém, descuidou-se na vila e recolheu tarde. Quando chegou próximo da portada do seu prédio deu meia noite no sino do relógio da vila. Ao correr do ferrolho da portada viu sobre a parede da Quinta uma mulher vestida de branco.
    — Quem está lá? interrogou em voz alta.
    A mulher não respondeu.
    — Quem está lá? instou em voz mais alta.
    O mesmo silêncio.
    Então à cavalheiro colocou a clavina de que andava sempre acompanhado, em condições de fazer fogo, e ao mesmo tempo correu com força o ferrolho. Neste momento sentiu forte pancada na cabeça e caiu sem sentidos.
    O que depois se passou entre o cavalheiro e a mulher ninguém sabe afirmar, nem o cavalheiro contou. Sabe-se que de aí em diante andou sempre triste, morrendo pouco tempo depois.
    E digam que as mouras encantadas são seres imaginários...

Fonte Biblio OLIVEIRA, Francisco Xavier d'Ataíde As Mouras Encantadas e os Encantamentos do Algarve Loulé, Notícias de Loulé, 1996 [1898] , p.87, cap. V

Place of collection-, LOULÉ, FARO

Narrativa

When XX Century, 90s

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications

MotivosTh [E425.1.1.] Revenant as lady in white.