[A Moura no Sítio da Canada]

APL 3781

No dia seguinte dirigi-me a Gilvrazinho e falei ao sr. Joaquim Duarte, lavrador daquele sítio. Não nascera ali, porque era natural de Querença, mas chamou as pessoas idosas do sítio, que eu consultei.
    — Há, disseram-me, no sítio da Canada, e dentro de um algueirão uma moura encantada. Tem aparecido a algumas pessoas, e até houve um rapaz do tempo dos nossos avós, que tentou desencantá-la.
    — Como foi isso?
    — Passando em certa ocasião por ali próximo, o tal rapaz, apareceu-lhe a moura e prometeu-lhe riquezas sem conto, se a desencantasse.
    — O que devo fazer? perguntou o rapaz que era muito corajoso.
    — Lutar com um dragão e com um toiro.
    —  E o dinheiro onde está?
    — Além.
    E a moura mostrou ao rapaz uma grande esteira de figos ao sol.
    —São figos...
    — Parecem-te figos, mas não são: o que ali vês são dobrões em ouro.
    E neste momento ouviu o rapaz o rastejar de um grande bicho.
    Não pôde dominar o próprio medo e fugiu para não mais aparecer: Crê-se que morreu lá nos Brasis.

Fonte Biblio OLIVEIRA, Francisco Xavier d'Ataíde As Mouras Encantadas e os Encantamentos do Algarve Loulé, Notícias de Loulé, 1996 [1898] , p.81-82

Place of collection Almansil, LOULÉ, FARO

InformanteJoaquim Duarte (M), - (LOULÉ) FARO, born at Querença (LOULÉ) FARO,

Narrativa

When XX Century, 90s

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications