A Penha Amarela e as Portas do Almourão

APL 1129

Conta-se ainda que, alguns anos mais tarde, pai e filho andavam à azeitona quando se lembraram do que tinham, na altura, dito os mouros “entre o Tejo e o Ocreza ficara a sua maior riqueza”. Logo, concluíram que a carroça espelhada na água constituía um autêntico tesouro e toda ela seria de ouro.
 Depressa os dois aldeões se propuseram, com a ajuda de uma junta de bois, a retirar a “carroça de ouro” das profundezas daquele autêntico poço. Os camponeses iam, desta feita, tão contentes que — já no cimo da barreira em voz alta: “quer Deus queira, quer Deus não queira, a carroça já cá vai no cimo e amanhã já a levamos ao mercado, na vila”.
 Ao proferirem “Deus não queira” os bois e a “carroça de ouro” começaram a recuar, encosta abaixo, e esta afundou-se de novo no rio e lá está! A testemunhar a lenda, a encosta referida conserva ainda hoje a designação de Penha Amarela.

Fonte Biblio HENRIQUES, Francisco Contos Populares e Lendas dos Cortelhões e dos Plingacheiros Vila Velha de Ródão, Associação de Estudos do Alto Tejo, 2001 , p.301-302

Ano1997

Place of collection Vila Velha De Ródão, VILA VELHA DE RÓDÃO, CASTELO BRANCO

ColectorMarçal José (M)

Narrativa

When XX Century, 90s

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications