A ponte de Aliviada

APL 1066

No lugar de Aliviada (Marco de Canaveses), muito perto da confluência com o rio Tâmega, o rio Ovelha some-se por debaixo de uma enorme penedia fazendo um percurso subterrâneo de muitos metros reaparecendo, para correr de novo, no seu leito primitivo e a céu aberto.
 Diz a lenda que, ao mesmo tempo que Frei Gonçalo construía a sua ponte de Amarante, o diabo levava a cabo igual empreitada mas mais imponente. Certo e sabido o diabo acabou a sua ponte primeiro que o frade.
 Cheio de gentilezas e galhardias convidou Frei Gonçalo a ir vê-la recomendando-lhe que nem por sombras pensasse em benzê-la. Frei Gonçalo aceitou o convite e acabou por reconhecer que, a obra do anjo maligno era, na verdade, melhor que a sua.
 Gonçalo de Amarante teceu grandes elogios à obra e ao seu construtor; enalteceu as belezas do lugar e, o mafarrico vaidoso com tanto galanteio, começou a caminhar à sua frente.
 Vendo que o diabo estava distraído — se bem o pensou melhor o fez — ergueu o cajado na direcção da ponte e fez no ar uma enorme cruz em sinal de bênção e balbuciou "se tu fosses por aqui como vais por ali...” e logo a ponte ruiu com enorme estrondo.
 O diabo apanhado de surpresa assustou-se e, dando um grande salto, começou a correr espavorido até ao cimo do monte de onde, cheio de ódio e fúria, começou a apedrejar o frade.
 As pedras que o diabo lançou, ao rolarem pela encosta, aumentaram de tamanho e juntamente com os escombros da ponte taparam o leito do rio, fazendo-o correr escondido e dar origem à Aliviada.

Fonte Biblio PATRÍCIO, António Lendas de S. Gonçalo e de Amarante Amarante, Paróquia de S. Gonçalo, 2009 , p.41-42

Place of collection Várzea Da Ovelha E Aliviada, MARCO DE CANAVESES, PORTO

Narrativa

When XIII Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications