A Rapariga-cão

APL 2510

– Iam-se  deitar, não é!? E a mãe, pois nunca pensou que a moça fosse assim… Deitava-se e ao mesmo tempo que se deitava iam dormir, e ela também ia dormir para o quarto, mas ela saía transformada num cão, e esse cão passava sete igrejas, sete freguesias, pronto. Até que…Andou muitos anos assim, um dia a mãe acho que se levantou, foi ao quarto, foi ao quarto mas não a viu… Houve uma vizinha que via aquele cão sair todas as noites e chamou a… Coitadinha, Deus a tenha lá em eterno descanso, por a mãe dela e chamou:
- Oh Alvira hás-de reparar que ás tantas horas [tinha uma hora] sai um cão preto da tua casa , todas as noites, todas as noites…
E ela começou a andar sobre aquilo, tanto que andou que viu a filha a sair transformada num cão, e era a filha, deixou-a sair, ela lá foi, quando veio, quando veio outra vez para casa, a mãe com um… [não sabes o que é um aguilhão, de aguilhar os bois!? Que é uma vara comprida e tem um, um preguinho] foi… filha da puta hás-de morrer aí, nunca pensou, nunca pensou que fosse a filha, espetou-lhe com o aguilhão, parece ou na testa, ou aqui ou ali, pronto espetou-lhe, fez-lhe sangue e conforme lhe fez o sangue ela ficou uma estátua, a filha, como era, como era antes de … pronto e depois quebrou o encanto.

Fonte Biblio AA. VV., - Arquivo do CEAO (Recolhas Inéditas) Faro, n/a,

Ano2008

Place of collection Maia, MAIA, PORTO

ColectorAnabela Monteiro (F)

InformanteAlexandrina Barros de Sousa (F), 68 y.o., born at Maia (MAIA) PORTO,

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications