A sorte da água para descobrir a bruxa

APL 471

O pai da minha avó tinha um menino e havia uma comadre dele que fez mal ó menino, bruxedos. O menino andava muito doente, na comia nem nada e apareceu morto.
 O pai tinha água em casa e dêtou a água fora, más foi p’ra ver quem é que tinha matado o filho. Foi buscar água a um poço que havia ali entigamente (ah ond’é que era o cinema entigamente havia um poço) e ele foi lá buscar água. Foi lá buscar água e diz ele assim ainda hei-de ver quem é que matou o mê filho.
 No poço estavem muitas delas e dizem elas assim sabes quem é que vem além? É o Francisco Duarte. Se ele experimentar em jogar o balde ó fundo do poço ele tamem vai. Quer ver quem matou o filho? Pois tu leva bem sentido que ele na leva nem pinga d’água.
 E entigamente faziem as pessoas uma sorte numa bacia d’ água p’ra verem na água a cara da pessoa que tinha feito o mal.
 E então o pai da minha avó foi, na teve medo e apanhou a água em frente delas. Olhou p’rá água e viu que era aquela dita comadre que tinha feite o mal ó filho. Ele fez um traço na cara que estava na água com uma faca.
 Más no outro dia vai ali à Ribêra p’ra pedir pêxe e viu a comadre com o lenço assim a tapar a cara no mesmo sítio onde ele tinha feite o traço com a faca na água. Foi quando é que ele soube que foi a comadre que tinha matado o filho. Sim senhora, já viu?

Fonte Biblio TENGARRINHA, Margarida Da Memória do Povo Lisboa, Colibri, 1999 , p.42-43

Place of collection Alvor, PORTIMÃO, FARO

InformanteDeonilde dos Santos Martins (F), born at Alvor (PORTIMÃO) FARO,

Narrativa

When XX Century, 90s

CrençaConvinced Belief

Classifications