A Torre de Bias

APL 1579

 

 Com relação a uma das torres mencionadas enviou-me um amigo ilustre uma lenda.
 Havia nos tempos dos mouros na torre de Bias uma formosa moura que aliava à sua formosura e riqueza um coração Diamantino. Uma das suas principais virtudes, e que refulge entre as mais, era a caridade.
 O pai da virtuosa moura, se não era propriamente um rico avarento, não via com muito bons olhos as avultadas esmolas em dinheiro que ela distribuía aos pobres, e por isso só lhe consentia as oferendas em frutos. É certo que a virtuosa filha em coisa alguma desobedecia às ordens paternas, mas Allah fazia constantemente a partida de transformar os frutos em dinheiro. Indignava-se o pai contra a desobediência da filha, teimava esta em nunca se afastar das suas ordens Em um dia espreitou o pai e viu que sua filha tinha razão.
 Não diz a lenda qual foi o procedimento do velho mouro.
 Parece que esta lenda, aplicada pelos nossos cronistas à santa esposa do nosso rei D. Dinis, alude talvez a alguma moura que na torre tivesse existido e a quem se lhe atribuísse o exercício de caridade. É sabido que muitas vezes os mouros copiaram dos cristãos os modelos das suas virtudes.
 Parece que o sítio onde se acha a torre de Bias foi sede de uma grande povoação, pois que têm sido ali encontradas muitas sepulturas, em cujo interior aparecem uma pedra à cabeceira, outra aos pés e duas de cada lado.
 De que tempo datam as tais sepulturas?
 Não se sabe.

Fonte Biblio OLIVEIRA, Francisco Xavier d'Ataíde As Mouras Encantadas e os Encantamentos do Algarve Loulé, Notícias de Loulé, 1996 [1898] , p.180, Cap.XXI

Place of collection Pechão, OLHÃO, FARO

Narrativa

When XIX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications