A Zorrinha Berradeira

APL 1793

Há, em Alcantarilha, um campo, numa altura, a que chamavam a “altura de José Martelo”. Ainda hoje lá existe, sim, essa altura.
 E então, que a altas horas da noite, que aparecia uma joeira, uma joeira de fogo, a dar voltas e a berrar:
 - Teca, teca, teca, teca, teca, bééé!
 A família [as pessoas] fugia toda para casa uma das outras, com medo. Mas havia uma senhora que morava lá ao pé, que contou que aparecia a joeira do fogo, que ela a via. Ela é que contou que ela via. E então fugiam todas para casa umas das outras. E a minha mãe também fugia, e a minha avó, para casa da vizinhança, que tinha medo.
 Levava aquela joeira a berrar de noite. Chamavam-lhe “a Zorrinha Berradeira”.
 O padre da terra foi benzer as casas das pessoas, foi benzer as casas para aquilo desaparecer paras as bandas das águas do mar. E então andou o padre a benzer as casas, e diziam que era uma mãe que tinha pedido uma praga a uma filha, para ela andar a berrar toda a vida, e que as pragas que as mães pedem aos filhos caem, e então que ela morreu e andava assim.
 E com as bulas de Santa Cruzada, que fez aquilo desaparecer  e que nunca mais apareceu a “Zorrinha Berradeira”. Com as bulas de Santa Cruzada desapareceu e que foi para a banda das águas do mar.

Fonte Biblio AA. VV., - Arquivo do CEAO (Recolhas Inéditas) Faro, n/a,

Ano1998

Place of collection Alcantarilha, SILVES, FARO

ColectorAlexandra Maria Vieira Pelila (F)

InformanteDeolinda do Carmo (F), 78 y.o., Alcantarilha (SILVES) FARO,

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications