[Ai que me magoaste!]

APL 3128

Conta-se em Benlhevai que, há muitos, muitos anos, andava um lenhador a fazer lenha num carrascal. Depois de cortar alguns carrascos, ouviu uma voz feminina que lhe disse:
— Ai que me magoaste!
O lenhador ficou surpreso, reteve a respiração, olhou à sua volta e não viu ninguém. Retomou o seu trabalho e logo de seguida a mesma voz feminina:
— Ai que me magoaste na face!
O homem estremeceu e parou de cortar carrascos. Correu para casa aterrorizado e contou a toda a gente o que lhe tinha acontecido. A partir desse dia, as pessoas consideram sempre esse lugar sagrado, e mandaram edificar uma capelinha no meio do monte, onde colocaram uma imagem de Nossa Senhora com um golpe na face a quem puseram o nome de Nossa Senhora do Carrasco.

Fonte Biblio PARAFITA, Alexandre Património Imaterial do Douro (Narrações Orais), Vol. 2 Peso da Régua, Fundação Museu do Douro, 2010 , p.237

Ano2004

Place of collection Benlhevai, VILA FLOR, BRAGANÇA

InformanteEsmeralda Nazaré Silva (F), 81 y.o.,

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications