Aljubarrota

APL 1484

É celebre esta villa pela grande e gloriosíssima batalha dada em 14 de Agosto de 1385, por D. João I, de Portugal, contra D. Joao I, de Castella; na qual este foi completamente derrotado, deixando o campo coberto de mortos, feridos e prisioneiros, e riquisimos despojos.
Aqui vivia a denodada e immortal Brites (ou Beatriz) d’Almeida, por alcunha a Pisqueira, vulgarmente conhecida por a Padeira d’Aljubarrota; que n’esse memoravel dia da batalha matou sete castelhanos, com a sua pá de fornear.
Esta pá se conservou por muitos annos (e não sei se ainda existe) sobre a verga de uma das portas da egreja matriz (outros dizem que está na casa da camara; mas parece-me que a vi, em 1834, na egreja) como tropheu e em memoria d’esta façanha mulheril.
Consta que os taes sete castelhanos, vendo tudo perdido, e para escaparem á geral carnificina, achando a casa da Pisqueira abandonada (por a padeira andar entretida a caçar castelhanos) se foram esconder dentro do forno. Foi ella alli dar com elles, e, agarrando na pá – quantos vivos rapuit, omnes esbarrigavit.
Querem alguns, que as armas d’esta villa sejam, – um escudo coroado, com uma pá de ouro em campo de sangue. E dizem que assim lh’as deu D. João I. Eu, a dizer a verdade, ainda não vi isto escripto em livro digno de fé; todavia a villa bem merecia esse brazão, se o não tem.
A pá é de ferro com cabo de pau, e quadrada.
Quando á villa ia alguma pessoa real, ou de grande qualidade, era costume expor-se na praça a dita pá, empunhada por uma mulher de bom comportamento, que fosse padeira.
Os Philippes mandaram ordens sobre ordens, para que a pá fosse para Castella; mas poude-se subtrair (escondida em uma parede da casa da camara) e só appareceu triumphante em 1640. Foi Manuel Pereira de Moura quem a escondeu.
Não foi só a Pisqueira que n’este dia memoravel se tornou celebre. Tambem Maria de Sousa, que com uma partazana derrubou  D. Alvaro Gonçalves Sandoval, quando este intentava ferir o nosso rei, com um golpe de maça; atravessou o peito do renegado Nunes de Gusmão (irmão de D. Nuno Alvares Pereira) e tolheu o passo a uma par tida de castelhanos que queria fugir, matando mais de vinte e fazendo recuar os outros, (diz a lenda).
E Joanna Fernandes, que, com pedras e agua a ferver, deu cabo de bastantes dos taes castelhanos.

Fonte Biblio PINHO LEAL, Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de Portugal Antigo e Moderno Lisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 2006 [1873] , p.tomo I, p. 136-137

Place of collection Aljubarrota (Prazeres), ALCOBAÇA, LEIRIA

Narrativa

When1385

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications