Alte

APL 2184

Antes de existir a povoação de Alte com a sua Egreja, iam os crentes daquelles contornos ouvir missa á Ermida de Santa Margarida, muito mais antiga do que a paroquia. Existia no sitio um capellão, estipendiado pela rica lavradora do Freixo Verde, a cargo de quem igualmente estavam as despezas do culto.
 Nunca o capellão nos domingos e dias sanetificados subia ao altar a dizer missa, sem que estivesse já na capella a rica lavradora com os seus serviçaes.
 Em certo dia não appareceu a lavradora, apesar do padre a ter esperado por muito tempo. Subiu ao altar e disse a missa.
 Concluida a missa, sairam os fieis, alguns dos quaes encontraram a lavradora no logar onde hoje está fundada a povoação. Sendo informada de que o capellão dissera a missa, sem ella estar presente, voltou-se para os seus serviçaes é disse em voz alta:
 — Alto!
 Todos ficaram quedos.
 A lavradora continuou:
 — Ordeno que se funde aqui uma egreja e será ella a séde de uma freguezia.
 Assim se fez; e para designar ó nome da séde da nova freguezia foram á palavra proferida pela lavradcira — Alto.
 Com o andar dos tempos a palavra primitiva foi transformada em Alte.

Fonte Biblio OLIVEIRA, Francisco Xavier d'Ataíde Monografia do Concelho de Loulé Faro, Algarve em Foco, 1998 [1905] , p.194

Place of collection Alte, LOULÉ, FARO

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications