Amor e cegovim

APL 385

Era uma vez… fazia o Senhor Rei D. Dinis e sua Santa Mulher, a Rainha Isabel, uma mais demorada pousada em Leiria, talvez para descansar dos muitos que é ligado fazeres do seu alto cargo.
 Um dia o Rei passeando no seu fogoso corcel, galopou, galopou, campos em fora, e, lá longe, num pequeno lugar vê uma camponesa formosa como nenhuma outra se vira ainda em muitas léguas ao derredor.
 Apaixonou-se o Rei pela camponesa e ali, naquele lugar, no meio do campo florido de papoilas e malmequeres, nasceu naquele dia um grande amor.
 As visitas do Rei ao seu novo amor continuaram e tomaram-se conhecidas nas redondezas, e, àquele lugar começaram a chamar Amor.
 Também a Rainha soube dos novos amores de seu marido e Rei, e, para lhe mostrar a sua reprovação sem o melindrar, mandou uma noite alumiar o caminho por onde o Rei, seu esposo, deveria regressar a Leiria.
 D. Dinis, ao dar com as veredas, por onde voltava, com grande alumiação de muitos fogachos, viu estar ali uma muda intenção crítica da Rainha, sua legítima mulher, e exclamou:
 “Até aqui cego vim”.
 E ao sítio onde começavam as luminárias passou a chamar-se Cegovim, que, por uma natural corruptela popular se chama hoje Cegodim.

Fonte Biblio CABRAL, João Anais do Município de Leiria, Vol. III Leiria, Câmara Municipal de Leiria, 1993 , p.229-230

Place of collection-, LEIRIA, LEIRIA

Narrativa

When XX Century, 90s

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications