As ovelhas embruxadas

APL 1160

No tempo em que meu pai era vivo, vivia no campo e tinha ovelhas, quase todos os anos lhe morriam umas tantas.
 Estavam os animais muito bem a pastar, começavam a tremer, abanar a cabeça e ficavam-se. Isto aconteceu durante muito tempo, até que disseram ao meu pai para ir a um soldador que morava no Monte do Boi.
 O meu pai lá foi de burro, foi de manhã e só regressou à tardinha. Quando chegou trazia uma lata de unto e as indicações como o havia de colocar às ovelhas.
 Eu e os meus irmãos fomos ajudar, tivemos de ir para o bardo durante três dias e ajudar o meu pai a pôr o unto na cabeça e no “amojo” (tetas) de cada ovelha durante três dias.
 No primeiro e no segundo dia correu tudo bem, as ovelhas estavam mansas como de costume, mas no terceiro dia, assim que começamos o tratamento as ovelhas começaram a correr de um lado para o outro, endiabradas até parece que queriam derrubar o bardo.
 Mas a partir desse dia deixaram de morrer ovelhas.

Fonte Biblio MOURA, José Carlos Duarte Histórias e Superstições na Beira Baixa Castelo Branco, RVJ editores, 2008 , p.17

Place of collection Castelo Branco, CASTELO BRANCO, CASTELO BRANCO

Narrativa

When XX Century, 90s

CrençaUnsure / Uncommitted

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