Bruxaria

APL 996

Certo dia, a D. Maria adoeceu sem se saber qual o motivo da doença e qual a sua origem. Nem o médico da altura sabia o que se passava. Começou a correr o rumor pela aldeia de que seria bruxaria, ou que tinha entrado no seu corpo um espírito maligno, do qual ela nunca mais se iria libertar. Com o passar do tempo, a D. Maria foi ficando cada vez mais débil, até que a certa altura decidiu consultar uma bruxa. Tal facto abismou as pessoas da aldeia, pois era um pecado acreditar ou consultar as bruxas.
 Pelo que parece, a bruxa disse à D. Maria que o problema advinha de um bruxedo feito com um sapo. Alguém pegou nalgum resto da sua comida, pôs dentro da boca do sapo e coseu-a. Segundo a bruxa, a D. Maria teria que procurar o sapo no seu quintal, descoser-lhe a boca sem sangrar e retirar o que ele tinha lá dentro.
 Com o tempo a passar, a D. Maria estava a ficar cada vez mais débil e não conseguia encontrar o dito sapo. Por mais tratamentos médicos que fizesse, de nada lhe adiantava, pois estava a ficar cada vez mais debilitada. De nada adiantaram todos os esforços, pois a D. Maria viria a falecer, sem saber se na realidade foi bruxaria, ou uma doença desconhecida da altura.
 Diz-se que os sapos servem de veículo do demónio e transportam consigo o espírito de quem se quer ver eliminado.

Fonte Biblio AA. VV., - Literatura Portuguesa de Tradição Oral s/l, Projecto Vercial - Univ. Trás -os-Montes e Alto Douro, 2003 , p.B9

Ano2000

Place of collection Balazar, PÓVOA DE VARZIM, PORTO

ColectorManuela da Costa Santos (F)

Narrativa

When XX Century, 90s

CrençaConvinced Belief

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