Bruxarias

APL 1546

A minha avó tinha-se zangado com o meu avô.
Como o meu avô guardava ovelhas tinha sempre um molhe de cajados atrás da porta.
Então, ele tinha-se zangado com a minha avó, e a minha avó estava muito apoquentada. Então, ela tinha um filho pequenino e a minha mãe foi dormir numa cama ao pé da minha avó no quarto e o meu avô fez a cama cá fora com uma esteira de palha e depois pôs o colchão em cima e fez a cama. Mais tarde quando a minha avó se foi deitar viu entrar uma luz, e como se diz o ditado:
Que quando a bruxa entra em casa, a pessoa já não dorme e se está a dormir já não acorda.
Então a primeira reacção que a minha avó teve foi de apertar logo o menino que era o meu tio António e ela agarrou-o logo pela camisinha porque a luz foi-se logo a ele. Bem a luz foi andando, andando sempre muito devagarinho e foi para os lados da cama do meu avô. E diz assim a minha avó:” Então do freicheirinho, lavrador do freicheirinho aqui não está tudo a dormir”. E elas continuaram sempre andando até que chegaram mesmo ao pé do meu avô, mas como o meu avô cheirava muito a alhos, elas abalaram logo de cima dele e foram para cima da minha mãe que nessa altura devia ter uns 7 anos. A minha mãe gemia muito e mexia-se toda, mas não podia dizer nada porque estava a dormir, e a minha avó só via a tal luz que andava em cima da filha e a ouvia a gemer.
Dai a bocado a luz vêm para o pé do meu tio e quando ela vêm para o apanhar deu-se um estoiro enorme que até o meu avô acordou, e desapareceu tudo de repente. Mas o que é certo é que a minha mãe acordou e estava toda cheia de nódoas negras.

Fonte Biblio DUARTE, Joaninha A Luz da Cal ao Canto do Lume Lisboa, Colibri, 2009 , p.234

Place of collection Mora, MORA, ÉVORA

ColectorRicardina Pires (F)

InformanteMaria Filipa Pinto Boto (F), 73 y.o., Mora (MORA) ÉVORA,

Narrativa

When XXI Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications