Cintra

APL 1531

Sobre a planície se ergue alterosa á beira da estrada a longa penha ou penedia formada por um grupo de penedos, todos rolados pelas aguas (como em geral são os de Cintra, e sobranceiro a elles está outro enorme penedo a prumo, em cujo vertice mandaram os frades collocar uma cruz, que já não existe.
É junto a esta penha que está fundado o convento de Penha Longa, a que ella deu o nome.
O povo d’aqui, porém, chama ao tal penhasco (ou acérvo de penedos) o Penêdo dos Óvos. Segundo uma antiga lenda d’aqui o que lhe deu o nome de Penêdo dos Ovos, foi o seguinte:
Era voz constante n’aquelles sítios  que sob esta penedia existia um grande thesouro encantado, o qual só se descobriria a quem conseguisse derribar o penêdo, atirando-lhe tantos óvos quantos bastassem para conseguir tal façanha. Ninguem a tentava; mas um dia, certa velha do logar tentou a empreza, munindo-se de quantos óvos poude arranjar por muitos dias, e com elles tentou derribar o formidavel penêdo.
Esgotou porém as munições sem conseguir nem ao menos fazer dar ao penêdo o mais leve movimento, e na impossibilidade de arranjar mais ovos, abandonou a empreza, sem que até hoje houvesse quem a tornasse a tentar.
 Cobre o penêdo, do lado do Sul, um musgo amarellado e as mulheres e creanças d’aqui dizem que são as gemmas dos óvos com que a velha fez o tiroteio ao penêdo.

Fonte Biblio PINHO LEAL, Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de Portugal Antigo e Moderno Lisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 2006 [1873] , p.tomo II, p. 303

Place of collection-, SINTRA, LISBOA

Narrativa

When XIX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

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