Conto?

APL 1625

Uma mulher que vivia no terreiro da Misericórdia (Guimarães), ouviu uma noite perto da meia noite, uma bulha na rua, como o de tinir de cadeias de ferro. Julgou ser algum cão (que se desprendesse, arrastando com ele o cadeado), mas abrindo a janela e olhando para a rua viu que era um vulto humano. “Ora vai, que não vais aí por nenhum mal que te eu fizesse”. E ia a fechar a janela, quando o vulto lhe disse de baixo: “Amanhã, à meia-noite, hás-de-me aparecer no adro de S. Pedro de Azurém”. A mulher no dia seguinte foi-se ter com um padre e contou-lhe o que se tinha passado. O padre disse-lhe: “Não tem remédio senão ir. Mas vá; faça um Sansolimão (no adro) e meta-se dentro dele. Só assim é que não terá perigo”. Assim mesmo o padre foi pedir aos frades que rezassem pela mulher. Na noite marcada a mulher foi, fez o Sansolimão, e meteu-se dentro dele, e à meia-noite em ponto, o vulto apareceu-lhe e disse-lhe: “Ora vai; o que te vale não é o Sansolimão, é o Frade Tamanca (dos capuchos) que está a pedir por ti. Nunca mais te tornes a meter com quem passa.”

Fonte Biblio SARMENTO, Francisco Martins Antígua, Tradições e Contos Populares Guimarães, Sociedade Martins Sarmento, 1998 , p.115-116

Place of collection-, GUIMARÃES, BRAGA

InformanteAntónia (F),

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

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