Costureirinha (2)

APL 2041

Era uma vez uma rapariga, andava na costura e depois dizia: «Se aprender a costurar e comprar uma máquina, o primeiro dinheiro que eu ganhar ofereço um manto à Nossa Senhora.» Ela começou a trabalhar, ganhar o dinheiro, a receber o dinheiro e não deu o manto à Nossa Senhora. Não cumpriu a promessa. Isto aos santinhos não se pode… se a gente promete tem que pagar. Ela depois morreu, andou perdida pelo mundo. A alma dela que era a costureirinha e então ouvia-se a costureirinha sempre nas casas das pessoas, andou… perdeu-se… andou perdida muitos anos. E eu ouvi. Ouvi… em Loulé. Depois ela cozia à máquina e depois a gente punha-se à escuta, ouvia a máquina trabalhar: «tic, tic, tic, tic, (…)», no fim depois parava, depois ouvia-se a tesoura bater em cima na máquina. E depois lá estava… e depois começava outra vez (…). Aparecia, em qualquer lado se ouvia. Até numa jarra, numas flores, numa coisa assim se ouvia. E depois andou perdida muitos anos, muitos anos, (…) Aos santinhos não se promete. O que se promete tem-se de pagar, senão a alma… é castigo. (…) Ouvia-se as pessoas dizerem e ouvia-se a máquina nas casas das pessoas, ouvia-se (…).

Fonte Biblio AA. VV., - Arquivo do CEAO (Recolhas Inéditas) Faro, n/a,

Ano2005

Place of collection-, LOULÉ, FARO

ColectorCatarina Custódio (F)

InformanteMaria de Lurdes Nascimento (F), 78 y.o., - (LOULÉ) FARO, born at Santa Bárbara De Nexe (FARO) FARO,

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications