D. Sebastião na Maia

APL 1268

Há já muitos anos, na noite de S. João, um casal de velhotes seguia pelo Caminho dos Moinhos da Viola, na Lombinha da Maia, no seu burrinho. Iam a conversar para passar mais depressa a viagem, quando lhes surgiu pela frente um homem desconhecido, montado num belo cavalo branco. Era D. Sebastião que, sem mais nem menos, lhes aparecia. Ainda estavam sem querer acreditar no que viam e perguntavam um ao outro: “Estás a ver o que eu vejo?”, quando o rei encantado lhes perguntou:
 — Quem reina?
 O velhote, embora estivesse admirado, respondeu com voz segura e determinada de quem já muito viu e nada lhe causa espanto:
 — Reino eu e a minha Maria!
 Logo o cavalo branco desatou numa correria louca e os velhos nunca mais viram o rei D. Sebastião.
 Se tivessem respondido “Reina El-Rei D. Sebastião!”, teriam quebrado o encanto para sempre.
 Como isso não aconteceu, o jovem e infeliz rei continua a aparecer, na Maia, na Ribeira do Calhau, na noite de S. João, mesmo à meia-noite, montando o seu cavalo e faz sempre a mesma pergunta, esperando, ansiosamente que alguém lhe dê a resposta que o liberte do encantamento em que se encontra há mais de quatro séculos.

Fonte Biblio FURTADO-BRUM, Ângela Açores: Lendas e outras histórias Ponta Delgada, Ribeiro & Caravana editores, 1999 , p.92

Place of collection Lomba Da Maia, RIBEIRA GRANDE, ILHA DE SÃO MIGUEL (AÇORES)

Narrativa

When XX Century, 90s

CrençaUnsure / Uncommitted

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