Dona Marinha

APL 3806

O primeiro foi ũu cavaleiro boo que houve nome dom Froiam, e era caçador e monteiro. E andando ũu dia em seu cavalo per riba do mar, a seu monte, achou ũa molher marinha jazer dormindo na ribeira. E iam com ele tres escudeiros seus, e ela, quando os sentio, quise-se acolher ao mar, e eles forom tanto empos ela, ataa que a filharom, ante que se acolhesse ao mar. E depois que a filhou aaqueles que a tomarom fe-a poer em ũa besta, e levou-a pera sa casa.
E ela era mui fermosa, e el fe-a bautizar, que lhe nom caia tanto nome nem uu como Marinha, porque saira do mar; e assi lhe pôs nome, e chamarom-lhe dona Marinha.  E houve dela seus filhos, dos quaes ũu que houve nome Joham Froiaz Marinho.
E esta dona Marinha nom falava nemigalha. Dom Froiam amava-a muito e nunca lhe tantas cousas pode fazer que a podesse fazer falar. E ũu dia mandou fazer mui gram fogueira em seu paaço, e ela viinha de fora, e trazia aquele seu filho consigo, que amava tanto como seu coraçom. E dom Froiam foi filhar aquele filho seu e dela, e fez que o queria enviar ao fogo. E ela, com raiva do filho, esforçou de braadar, e com o braado deitou pela boca ũa peça de carne, e dali adiante falou. E dom Froiam recebeo-a por molher e casou com ela.

Fonte Biblio MATTOSO, José Livro de Linhagens do Conde Dom Pedro Lisboa, Academia das Ciências, 1980 , p.73 A1

Place of collection-, BARCELOS, BRAGA

Narrativa

When

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications

MotivosTh [B81.2.1.] Mermaid has son by human father.
Th [B81.2.] Mermaid marries man.
Th [B81.13.11.] Mermaid captured.
Th [F954.] Dumb person brought to speak.