Em busca do tesouro dos mouros

APL 727

Ali em cima, há uma cruz numa fraga, chamamos-lhe nós a Cruz do Pendão, e, mais para além, há outra igual, chamamos-lhe a Cruz do Sabroso. Estas cruzes separavam, antigamente, as terras dos mouros das nossas.
 Lá no Sabroso há também uma grande mina, onde alguns já entraram e viram grandes salas e divisões de cantaria muito trabalhada. Diz-se que essa mina passa por baixo do rio Tedo, e que os mouros iam por lá adentro, pois eles só andavam por debaixo da terra para que ninguém os visse, e levavam os cavalos a beber lá para os lados de Santa Leocádia. Diz-se que apanhavam a água que caía do rio para dentro da mina.
 Como se constava que eles, quando se foram embora, deixaram ficar muita riqueza em ouro e prata, pois até há uma cantiga que o diz, numa certa ocasião uns rapazes novos daqui de Barcos resolveram ir lá a ver se conseguiam descobrir essa fortuna. Um deles era um tio meu. Isto aconteceu há mais de cem anos, mas ainda me lembra de ele o contar.
 Então fizeram assim: levaram uma corda muito comprida e o meu tio, que era mais destemido, atou-a à cinta e entrou por lá adentro. Os outros ficaram cá fora à espera que e lhes desse sinal para o puxarem, caso houvesse azar e para que se não perdesse.
 E dizia ele que andou, andou, andou, e que se apercebeu que estava tudo esborraçado por onde quer que passava, pois os mouros esborraçaram tudo para que ninguém lhes fosse dar com as riquezas. A dada altura, como aquilo não tinha fim, fez sinal aos companheiros e voltou para trás. Chegou ao pé deles bem assustado, e nunca mais se constou que alguém lá tenha entrado.

Fonte Biblio PARAFITA, Alexandre Património Imaterial do Douro - Narrações Orais (contos, lendas, mitos) Vol. 1 Peso da Régua, Fundação Museu do Douro, 2007 , p.130

Place of collection Barcos, TABUAÇO, VISEU

ColectorAlexandre Parafita (M)

InformanteMaria Elisa Barradas (F), 80 y.o., Barcos (TABUAÇO) VISEU,

Narrativa

When XXI Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications