[esponjinhos]

APL 2929

Isso a andar à roda no ar são esponjinhos. A respêto disso vi muitos, muitos. Mas o que me ficou mais na lembrança foi d’uma ocasião, data não me recordo, que tinhamos a bêràda da Líria cheia de milho arrancado para secar p’r’às animais, e, quando lá fomos para o atar, não havia lá nada. O esponjinho tinha levado o milho todo por aqueles matos fora. Tivemos que andar a apanhar palha aqui, palha além, até o que pudemos encontrar, o que vir-nos, o resto não vimos mais nada. Não sei o que seja isso. Há pessoas que diziam que aquilo é o diabo a dançar. Outras atribuem-lhe outras coisas, e havia uma coisa que se dizia quando se via um esponjinho, que era assim: “Vai-te à missa, vai-te à missa, vai-te à missa”, não sei quê, não sei quê... Só sei isso: “Vai-te à missa, vai-te à missa...”

Fonte Biblio SALVADO, Maria Adelaide Neto Remoínhos, Ventos e Tempos da Beira s/l, Band, 2000 , p.58-59

Ano1995

Place of collection Castelo Branco, CASTELO BRANCO, CASTELO BRANCO

ColectorMaria Raquel do Carmo (F)

InformanteJoão do Carmo (M), 78 y.o.,

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications