Esquife do outro mundo

APL 2415

Informante: Há uma outra história que passou-se também com… isto já foi mais recente. Tem por volta de uns sessenta anos. Passou-se com o meu avô. A mãe do meu pai estava em trabalho de parto, e então o quê que faz? Diz ao meu avô para ir chamar a parteira que ficava um pouco mais longe, ali para os lados da Kadok, aí para esses lados. E então o meu avô vai. Era por volta também de umas duas, três da manhã… são sempre a essas horas. Duas, três, quatro horas.
Colector: Então quer dizer que trata-se de uma hora especial.
Informante: Sim é uma hora especial. E então o meu avô foi. Mas quando o meu avô foi, sozinho, aquilo não havia nada, era somente mato. O quê que o meu avô apercebe-se? Primeiro, presente um pouginho de vento. Naquele tempo diziam pouginho de vento. Ou seja, um vento que estava por volta dele e que não era normal durante a noite. E isso fez-lhe voar o boné. Bem, o meu avô pegou-se nele, apanhou o boné… ao apanhar o boné, quando ele levanta-se, com o quê que ele dá de caras? Dá de caras com uma esfinge. Sabem o que é uma esfinge? Não, não é uma esfinge. È um esquife! Assim é que é! Um esquife é um cavalo com um homem e as tais carroças que se chamavam esquifes e que levavam os mortos antigamente. Ora, aquilo às três da manhã [entre risos], o meu avô fugiu, porque era um rapaz novo naquela altura, claro, não é? Bem ele quando chegou a parteira disse-lhe que conforme ele andava, aquilo andava ao lado dele. Então o meu avô começa a fugir, chaga à casa da parteira e diz-lhe: «olhe, se você quiser ir assistir ao parto da minha mulher, vá! Porque aconteceu-me isto assim e assim e eu não vou! Nem morto eu vou para trás.» E não foi. Só foi de manhã. E a parteira disse-lhe que já não tinha sido só ele que tinha visto aquilo. Mais gente tinha visto. Hoje em dia as pessoas não vêem mais, por causa das luzes que há. Porque há muitas luzes e não dá para ver. É uma história, isto se a gente fosse a contar mais histórias…

Fonte Biblio AA. VV., - Arquivo do CEAO (Recolhas Inéditas) Faro, n/a,

Ano2008

Place of collection-, LAGOA, FARO

ColectorMarlon Miguel Monteiro (M)

InformanteAna Cristina Santos (F), 45 y.o., born at Quarteira (LOULÉ) FARO,

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

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